O projeto é simples: transformar poemas em curtas. Poemas sobre a nossa vida na cidade, o trânsito, o lixo, a música, o caos. Assim como há a liberdade poética, existe também o desprendimento audiovisual. Essa é a idéia básica do Poesias Urbanas.
Rodrigo Viegas, autor do poema Cerco, afirma que uma parte do material já foi filmado. O plano é lançar tudo junto no final do ano. É em pouco tempo. Fiquem atentos.

Projeto Poesias Urbanas
October 9, 2009
1ª Mostra Três Coroas Cine Digital
October 7, 2009Se tem uma coisa que eu aprendi, é que só se muda um lugar se você se mexer. Festivais independentes são baseados nisso: Uma pessoa faz o movimento e o resto acontece.
Rodrigo Viegas, já citado em uma reportagem aqui no Republic Pictures, está fazendo isso. Reuniu esforços e comparsas e vai realizar, nos dias 1 e 2 de novembro, a 1ª Mostra Três Coroas Cine Digital.
No blog oficial do evento já estão abertas as incrições para quem quiser ter seu filme exibido na mostra, e em breve sairá a programação. É um evento que deve ser prestigiado, por isso repasso o convite que me foi feito.
Compareçam.

Assista o Jô nessa quarta
September 16, 2009Lembram do Rodrigo Aragão, do excelente Mangue Negro? Pois bem, o cineasta capixaba gente boa vai aparecer no Jô Soares nessa quarta-feira, 16/09, sendo entrevistado e tendo seu braço agarrado pelo gordinho. Não deixem de assistir, é o que eu digo pra vocês.

O cinema gaúcho: do interior à capital
July 1, 2009Voltaire Danckwardt é Diretor de Arte, Arquiteto e Coordenador do Curso de Realização Audiovisual da Unisinos. Rodrigo Viegas é diretor, produtor e roteirista. O primeiro realizou curtas, séries para televisão, documentários e longa-metragens como Diário de Um Novo Mundo, Valsa Para Bruno Stein, Dias e Noites, A Casa Verde e Em Teu Nome. O segundo está lançando Unha e Carne, obra de 25 minutos, em preto e branco, no estilo noir, lembrando o terror de George A. Romero.
Trailer de “Unha e Carne”, dirigido por Rodrigo Viegas
Conversamos com Voltaire e Rodrigo sobre cinema independente, produções gaúchas, dificuldades de patrocínio e a identidade das obras feitas no Rio Grande do Sul. Sobre a identidade, Voltaire pensa que “existe uma identidade cultural gaúcha, com certeza. Com o cinema não é diferente, mais ainda ao falarmos de cinema independente” e atribui isso ao descompromisso com majors e o interesse em falar da nossa realidade. Viegas é crítico e considera a cena gaúcha injusta, dando mais atenção aos “filmes da Pasárgada”, como ele mesmo nomeia, em detrimento de obras gaúchas. E completa: “Por essas e por outras que estou indo em definitivo pra SP.”
Promo de “Valsa Para Bruno Stein”, direção de Paulo Nascimento
Quando perguntados sobre formas de divulgação, Danckwardt lembra dos festivais, enquanto Viegas fala da internet. Para o diretor de arte, “festivais, de uma maneira geral, são importantes janelas de exibição, por vezes a única, principalmente para a produção de curtas e formatos alternativos”. Mas lembra: “Não é, entretanto, força capaz de colocar espectadores em salas de cinema, apesar de colaborar com visibildade e divulgacao”. Já Viegas, apesar de se considerar nostalgico, afirma que “a internet é ótima para divulgar, até porque é de graça. Isso já diz tudo.”
Danckwardt, coordenador do Curso de Realizacao Audiovisual da Unisinos, afirma que, academicamente, a vontade de produzir vem da necessidade de se expressar: “inclinação é dada pela vontade ou necessidade de falar sobre algo sob um ponto de vista pessoal”. E, com isso, conclui: “Até por isso, cinema é arte sim, e é industria também.” Viegas, sobre as produções brasileiras, afirma que há dois grupos: “Há os que procuram seguir um determinado padrão para provar que podem se encaixar no mercado e pegar algo desse grande filão que é a Globo. E tem os independentes de carteirinha. Esses seguem a sua idéia sem se preocupar no que vai dar. Acredito que aí esteja o maior laboratório do cinema.”

Produtores cinematográficos falam sobre a cena gaúcha
June 17, 2009O povo gaúcho gosta de bradar toda sua cultura, seu conhecimento artístico, seu talento, a todos ouvidos. Porém, quando defrontado com outras realidades, mercados mais setorizados e organizados, é visível que essa postura não supera o que as vezes pode ser um despreparo e uma ponta de arrogância.
biAh weRTHer diretora do coletivo Cinema8ito, já mostrou o trabalho do grupo em vários cantos fora do Brasil, como Espanha, Argentina e Japão, conseguindo inclusive parcerias. E foi ao organizar um festival na Espanha que vieram as primeiras pressões: “Um dos parceiros quis crescer o festival lá, mas daí, por serem recursos deles, começou uma pressão pra o festival não ser mais considerado brasileiro”. O grupo teve de se redefinir, se organizar e descartar os recursos oferecidos. “Quando começamos a chegar no exterior vimos que o coletivo precisa ter diretoria, porque senão qualquer gringo tentará descaracteriza-lo e transforma-lo numa caricatura”.
Para biAh, a produção nacional independente tem melhorado e muito, tem ganhado reconhecimento e público no exterior, mas ainda pensa pequeno: “O Brasil tem crescido e vai muito bem. O problema é a covardia”. Segunda ela, o que ainda falta é o olhar se afinar, criar liberdade de produção: “As pessoas fazem arremedos de novela ou de filme americano. Ainda não temos liberdade no olhar, somos colonizados”.
No caso específico do Rio Grande do Sul, a opinião de Gabriel Von Doscht, designer e produtor audiovisual, é ainda mais crítica. Segundo ele, o principal defeito das produções gaúchas é a mesmice: “Os produtores daqui tentam forçar uma identidade que acaba passando a ideia de caricatura, de chiste”. A opinião de biAh complementa a ideia de Von Doscht: “O gaúcho está ficando cada vez mais medroso, mais contido, mais comportado. Pra acontecer uma indústria você não pode ter uma linguagem provinciana, você precisa ter diversidade”. O alvo das críticas de ambos abriga-se na linguagem padronizada, engessada e repetitiva que as produções gaúchas usam, em uma tentativa de se regionalizar e apresentar como linguagem local. “Cinema é expressão, não pode ter um padrão”, diz a produtora cinematográfica.
O problema, segundo biAh, é da cultura do estado. A vontade de pesquisar e produzir novidade deveria vir da própria pessoa. E completa, afirmando que a escola não ajuda, “omitindo” produções transgressoras: “Ser curioso, ser leitor, ser foda, isso vem de casa. Mas, se temos um estado tão superficial em seus valores, a escola torna-se um reflexo disso”. Tanto biAh quanto Von Doscht afirmam que o interesse é mais no reconhecimento do que na produção artística. Von Doscht complementa, ironizando: “É dificil ver alguma produção que não tenha gente de terno velho carregando um sotaque”. A produtora finaliza, comentando a realidade da cena gaúcha: “Se voce vê nosso meio, esto todos fazendo pose, sonhando mais com a aparência e com prêmios do que com a liberdade de expressar”.

Produções Audiovisuais: Nicho ou caminho árduo para o cinema?
June 3, 2009Todos os posts até agora retratam um fato explícito: cinema ainda é algo muito caro, muito difícil, e muito inacessível. Não importa quanto as técnicas e equipamentos se tornaram mais fáceis e baratas, a produção de longa e curta metragens ainda não é própria para iniciantes. Muitos tem entrado nas produções audiovisuais com o cinema em mente. Mas como não é algo simples, acabam por fazer vídeos variados, como clipes de música e pequenos trabalhos para marketing viral.
É o caso da Baxadanacional. A maioria dos trabalhos deste estúdio é composta de clipes e peças publicitárias, mas não era esse exatamente o objetivo inicial: “a Baxada foi feita pra trabalhar com cinema, só que é uma parada que é dificil pra trabalhar, porque envolve muita grana e tudo mais”, conta Filipe Barros, criador da produtora.

O primeiro trabalho da produtora foi o clipe de “Bem Vindo à América“, da extinta banda Stratopumas. “Éramos eu e um outro amigo da terceira turma de cinema e outros dois da primeira. Nós nos conhecemos fazendo o clipe da Stratopumas”, conta Barros.
Na época, a banda gaúcha era produzida por Tito, que garante que os dois lados saíram ganhando: “Os Pumas tinham uma boa visibilidade e serviu de portifólio pra produtora que tava recém começando. Acho que todo mundo ficou satisfeito”. Segundo ele, a ideia veio da produtora, e a banda aceitou: “Eles se ofereceram pra fazer o clipe, a gente conversou e achou uma baita ideia. Como a gente não tinha capital pra investir naquele momento, concordamos em pagar os custos de produção”.
Barros diz que cinema é ainda a prioridade: “Temos outros trampos, trabalhamos quase sempre com internet, virais, coisa assim. Mas a gente tenta ir encaixando trabalhos mais autorais durante esse processo.”
Tanto que um desses trabalhos autorais, o primeiro, só surgiu depois do clipe realizado. “Das 5 as 7 num pais em subdesenvolvimento” foi produzido no último semestre de faculdade. O produtor conta que teve ajuda de amigos, algo recorrente nas produções independentes: “chamamos o Leco e o Baiano pra ajudar a fazer a fotografia, porque eles já tinham fotografado os Pumas”.
No ano passado, durante a edição do clipe de “Lugar Qualquer“, da Pública, surgiu a ideia de gravar um mini documentário, mostrando a gravação do CD “Como Num Filme Sem Um Fim”. O projeto resultou no filme “Casa da Esquina 23“, lançado em fevereiro, numa sessão para convidados no Cine Bancários. “A Olelê Music gostou do projeto e pretende lançar, junto com o CD, um DVD com o filme. A MTV também vai disponibilizar o trabalho no seu site”, conta Barros.
As parcerias são parte fundamental das produções independentes. Tito resume bem esse espírito de ajuda mútua: “Sempre tem gente boa começando com alguma coisa. Pra quem tem poucos recursos, é bom estar sempre ligado nesses contatos”.

Cultura Rock Club organiza mostra de cinema independente
May 20, 2009O Cine Cultura Rock Club (Olavo Bilac, 251) promove, nas noites de Porto Alegre, uma mostra de cinema independente. Conversamos com Tom Gaston, que, além de produtor, trabalha no Cultura e ajuda na realização do evento.
A proposta da mostra em si já é especial: uma mistura da estética do rock com o cinema. Uma aproximação, mostrando que as duas linguagens são mais próximas do que se imagina. “O último curta que mostramos foi Onde Está Wander?, e contamos com a presença do diretor, que aproveitou e fez um show depois“, diz. Sendo assim, ele afirma que essa informalidade ajuda a incentivar não apenas ao cinema, fazendo com que público e artista se relacionem de diversas maneiras. “Todo mundo se identifica e isso faz com que se forme um público, uma identidade”, conclui Gaston, que também é integrante da banda Valentinos.
O projeto não tem dia específico, e é feito não só com a ideia de divulgação, mas também por causa da paixão pelo cinema. “Já rolou filme de estúdio, sim, mas a grande maioria é independente”. Nas mostras anteriores, filmes de diretores pouco conhecidos e iniciantes eram exibidos junto a obras de diretores mais divulgados. A ideia, a partir do semestre que vem, é focar o trabalho em estudantes de Cinema e diretores que estejam começando sua carreira. Houveram também sessões especiais: “Já fizemos coisas como um mês só passando Kubrick, e deu muito certo”.
Mas o evento ainda carece de apoio. Todo o dinheiro de divulgação e produção vem dos realizadores. Sendo assim, por vezes, Gaston conta que o evento passa por dficuldades: “É muito difícil, falta patrocínio, e, às vezes, o público é muito pequeno, não dá retorno financeiro“.
Gaston trata música e cinema do mesmo modo, e isso se reflete na ideia do local, de ser um “complexo cultural“, e não apenas uma casa de shows, ou sala de cinema. Sobre a falta de público, o produtor aponta: “Acho que tudo é muito modismo. Sempre reclamam que não há espaço para o rock e, quando um é criado, não tem público.“ E finaliza: “No cinema é a mesma coisa.“

Diretores falam sobre o cinema independente e as produções para a internet
May 6, 2009Nos posts anteriores sobre cinema de guerrilha, as fontes citaram a internet como um meio de propagação dessas produções. Para fazer um paralelo entre ambas as mídias (sendo internet uma mídia por si só), entrevistamos Christian Saghaard, cineasta já citado neste blog como autor do filme O Fim Da Picada, e Erik Gustavo, responsável pela Badalhoca Pictures, voltada apenas ao meio virtual.
Sobre o cenário do cinema nacional, Erik Gustavo afirma que a produção segue um bom caminho, mesmo estando bem aquém de países como Índia e Estados Unidos. E acrescenta que não há ainda uma identidade nacional, e isso é um bom sinal. “O distanciamento dessa ‘identidade’ nos previne de ter, por ano, 5 filmes retratando a seca no nordeste e mais 10 destacando a violência no Rio de Janeiro. Nada contra Cidade de Deus ou Tropa de Elite, eles tem seus méritos, ótimos filmes. O problema é não ter uma maior variedade de títulos sobre temas mais diversos.” Já Saghaard salienta que os meios técnicos das produções melhoraram e muito, principalmente nos quesitos equipamentos e profissionais, mas questiona se essa aproximação técnica das produções publicitárias também não pode causar uma certa descaracterização: “o pacote ‘profissionalismo e bons equipamentos’ traz qualidade para os filmes, mas muitas vezes vem acompanhado também de uma tendência estética mais comportada, e uma falta de agilidade e criatividade que dificultam a realização de filmes com propostas mais ousadas e baratas. Os filmes tendem a ficar mais burocráticos, perdendo um certo frescor e inventividade, que quando antes ou durante as filmagens, podem se perder pelo excesso de cuidados e conservadorismos da atuação das equipes.”
Quanto às ações do governo que tem como finalidade incentivar a criação artística nacional, ambos são críticos, mas vêem um ganho de qualidade em relação ao passado. “Faltam projetos, mas não estamos na pior das épocas”, afirma Gustavo. O diretor gaúcho concorda, e afirma que o maior problema é a utilização de recursos em projetos que não oferecem novidade: “O problema é a utilização de recursos em projetos milionários, como shows de artistas famosos, que não têm nada de diferente do que se vê todo dia na TV”.

Erik Gustavo e Ronald Rios fazem parte da programacao da MTV Brasil
O cinema de guerrilha e as produções audiovisuais para a internet tem muito em comum. São um esforço independente, feito com o que se há disponível e com verba reduzida, tendo a liberdade temática como recompensa. Gustavo diz que seus vídeos precisam de um trabalho mútuo. “Nós mesmos pagamos por toda a produção e equipamento, sempre contamos muito com a ajuda de amigos, tanto para atuar quando com equipamentos emprestados e até mão de obra.” Saghaard acha que já se deve prever até aonde vai uma produção tendo em vista sua equipe e orçamento. “É necessário aprender a fazer o filme de acordo com os recursos disponíveis, e inclusive criar o filme pensando nesses limites de custos e de produção, que podem inclusive despertar novas idéias; a inventividade muitas vezes está associada à observação crítica e construtiva dos meios possíveis.”
Já uma possível fusão dos meios ainda é pouco estudada. Saghaard usa a rede virtual como promoção para seus filmes. “A divulgação do longa O FIM DA PICADA está sendo feita através da internet, sem orçamento algum, e estamos testando várias formas de aproximação com o público, num momento em que o filme está em cartaz em Salvador pela Cinemark.” Já Gustavo acha que a idéia de difusão de longas metragens pela internet é uma “realidade só para os entusiastas.” Segundo ele, o próprio caráter de atualidade e rapidez impedem algo além da divulgação do filme: “A internet tem como característica a possibilidade de executar várias ações ao mesmo tempo, como conversar com os amigos, ler notícias… Assistir um filme de duas horas no YouTube é bastante complicado se eu não me comprometer a ele, já que eventualmente surgirão conversas no Messenger ou e-mails novos.”

Imagem de divulgacao do filme O Fim Da Picada
Sobre a cena independente nacional, o diretor carioca afirma que as produções atuais, em geral, não são boas e a internet apenas dá mais visibilidade, sem qualificar. “O público ainda vê as produções independentes como algo tosco, e elas de fato são toscas.” Segundo ele, existem exceções à regra, mas estas são prejulgadas junto à grande maioria. “É como uma turma de 100 mulheres, onde 98 são realmente muito feias e somente duas bonitas. Você não vai passar olhando por toda a sala para supor que aquela turma só tem mulher feia. A turma é a cena independente nacional na internet, para quem não entendeu”.

Diretor e professor falam sobre o Cinema de Guerrilha
April 16, 2009Na entrevista com João Fleck, citamos o cinema de guerrilha. Buscando nos aprofundar no assunto, falamos com o diretor Rodrigo Aragão e com o professor de cinema Roberto Tietzman.
O cineasta Aragão, nascido no Espírito Santo, considera o cinema nacional muito focado nas mazelas, na corrupção e na pobreza. Tietzman concorda, afirmando que é muito difícil haver uma única identidade no cinema brasileiro, devido à diversidade cultural do país: “O cinema tem a identidade do seu povo, mas o Brasil é um país com muitas culturas, é difícil haver uma única identidade.”

Rodrigo Aragão filmou "Mangue Negro" entre amigos
Sobre os projetos de apoio a cultura que são realizados pelo governo, o professor afirma que eles são importantes e não acomodam os diretores: “Ninguém fica satisfeito só com o dinheiro de recurso”, afirma. “Depois de dois anos de produção, tu queres que teu filme chegue ao público”. O diretor capixaba é mais crítico: “A ferramenta é importante na produção audiovisual do país, mas, infelizmente, é bem falha ainda”. Segundo ele, o que dificulta o financiamento de pequenos projetos é a burocracia, sendo que “muitas vezes quem acaba tendo acesso é um grupo já encaixado no sistema”.
No filme Mangue Negro, Aragão trabalhou apenas com bons amigos. “Alguns são profissionais com outros filmes no currículo, outros são do teatro, mas a maioria nunca havia atuado antes”, diz. Segundo ele, a precariedade de produção não serve como charme para filmes independentes: “De forma nenhuma queríamos fazer algo tosco, por isso o filme levou três anos para ser preparado”. Quanto a isso, tanto o diretor quanto Tietzman concordam que o cinema de guerrilha normalmente é feito com mais paixão. “É muito mais artesanal, muito mais por amor e por vontade, mas não por isso menos importante”, afirma o professor.

A produção do filme levou três anos
Quando fala do futuro, Aragão mostra ressalvas. “O mercado audiovisual está mudando, não sabemos ao certo onde isso vai dar”, teme, mesmo afirmando que pretende continuar realizado seus filmes, por serem sua paixão: “Filmando, sou um homem realizado”. O professor Tietzman prevê um futuro melhor: “As salas de cinema continuam abrindo, as pessoas continuando assistindo”, mas lembra que “há muitas possibilidades audiovisuais além do cinema, como o DVD, a internet, o celular”.

Cartaz de divulgação do fime "Mangue Negro", de Rodrigo Aragão

Fantaspoa
April 2, 2009Por Caetano Barreto e Gustavo Foster
Desde 2005, acontece em Porto Alegre o festival de cinema independente, dedicado ao gênero fantástico (ficção científica, fantasia e horror): o Fantaspoa. O festival chega à sua quinta edição em 2009 e acontece do dia 03 ao dia 19 de julho, em diversas salas de cinema de Porto Alegre.
O festival já contou com atrações de mais de 20 países (incluindo Espanha, Estados Unidos, Inglaterra e Argentina), exibiu filmes idéditos (nacionais e internacionais), recebeu diretores de expressão e organizou oficinas sobre o tema. Tudo idealizado por um grupo de amigos que integravam a diretoria do Clube de Cinema de Porto Alegre.
Falamos com um dos criadores do festival, João Pedro Fleck, que acha a situação do cinema brasileiro muito “acomodada”, critica programas de apoio à cultura e cita o chamado “Cinema de Guerrilha” americano. Segundo ele, a diferença entre o cinema independente e aquele feito com ajuda de dinheiro externo é que “depois de receber dinheiro do governo, pouco interessa se o filme dará ou não retorno futuro: o dinheiro veio antes”. Já no caso de filmes feitos com dinheiro dos próprios idealizadores, “dinheiro tirado do próprio bolso”, a situação é diferente: “A partir do momento em que fazem isso, se não der retorno, o investimento, que foi unicamente do idealizador, acabará em prejuízo.” Alguns exemplos de filmes “de guerrilha” dados pelo entrevistado foram “Mangue Negro“, “O Fim da Picada” e “A Capital dos Mortos“, todos apresentados pelo Fantaspoa.
Trailer oficial do filme “Mangue Negro”, do diretor Rodrigo Aragão
João fala com convicção que o maior reconhecimento vem do exterior. “No Brasil, o pessoal não quer cultura”. Na sua opinião, os filmes que são vistos no Brasil são os que concorrem ao Oscar ou que têm atores famosos. Para ser visto, o filme deve contar com atores consagrados, história já conhecida e talvez um diretor manjado: “o público brasileiro está acostumado com o pacote pronto, com o Tom Hanks no Código da Vinci”. Segundo ele, a solução é muito difícil, pois o povo brasileiro é mal-educado, e isso se reflete no comportamento como espectador. A educação do público teria de vir da escola, da família: “há 15 anos, o cara saía de casa para ir ver um filme. Hoje em dia, a pessoa vai ao cinema para comer pipoca.”
Porém, a maior vilã da situação é a internet, que disponibiliza o filme em qualidade razoável muito facilmente. Isso faz com que, antes de ser lançado, o filme seja visto sem que a pessoa tenha que sair de casa, criando um desinteresse na sala de cinema.

Imagem de divulgação do filme "O Fim Da Picada", do diretor Christian Saghaard
Sobre os festivais de cinema realizados no Rio Grande do Sul, Fleck também é crítico: “Gramado, por exemplo, recebe R$ 1 milhão de verba e traz menos de 30 filmes, poucos inéditos, enquanto a gente (o Fantaspoa), que dispõe de uma verba muito inferior, traz de 200 a 300 filmes, a maioria inéditos e que dificilmente seriam apresentados no Brasil.”
A quinta edição do Fantaspoa, segundo Fleck, terá 17 dias, começará com um fim-de-semana de curtas no Santander Cultural, terá uma semana de programação retrospectiva e mostras inéditas, além de, na segunda semana, promover uma competição com mais de 30 filmes, todos inéditos.
